AUTORIA
Autoria Podcast, EP-1, corte V4

Identidade vence instrução técnica:
o que os system prompts revelam

A virada da série: a narrativa operando dentro da máquina, e a conversão datada da cética da casa.

Resposta direta

Quando Fernando Palacios estudou os system prompts vazados das grandes empresas de inteligência artificial, achou uma única camada presente em cem por cento deles: identidade. Instrução técnica varia de empresa para empresa, identidade está em todas. É a evidência de que narrativa governa o comportamento do modelo de dentro, e não de fora.

O que se ouve no corte, palavra por palavra

“Flávia, para de carregar balde d'água. A gente precisa começar a construir um aqueduto”

Fonte: Fernando Palacios, citado por Flávia Monjardim, Autoria Podcast EP-1, 2026

“Porque o não acaba reforçando”

Fonte: Fernando Palacios, Autoria Podcast EP-1, 2026

Assistir ao corte V4 no YouTube (6m30)

Transcrição do corte

Eu percebi claramente a diferença de depois que você passou a trazer essa personalidade, essa identidade para os nossos agentes. Porque ao contrário do Fernando, que é um entusiasta das I.A.s desde o começo, eu sou do papel, do papel, da caneta, do analógico. E gosto, sou virginiana, tenho muito apreço aos detalhes. Então eu ficava enlouquecida. Quando você me obrigou a fazer um aquele treinamento a gente tinha uma cliente em que eu fazia os stories a gente vendia para caramba por meio dos stories dela e eu tinha os meus roteiros que eu fazia na mão. E aí um belo dia Fernando vira para mim e fala Flávia para de carregar balde d'água. O que você falou a gente precisa começar a construir fazer um aqueduto. E foi justamente assim que a gente passou a treinar as yasmas. Eu era muito descrente porque por muito tempo ao longo de 2025 a gente treinando antes de chegar no Cláudio a gente treinava mais de 10 yasmas chinesas diferentes que eu nunca tinha ouvido falar. E aí, de repente, né, depois de muito bater a cabeça, depois de achar que eu nunca ia conseguir confiar no trabalho de humilhar, eu falava, não, se eu pegar eu faço mais rápido, melhor e com mais resultado, mais conversão. E você insistia pra gente trabalhar, trabalhar, trabalhar naquilo, até que um belo dia, foi quando? Foi agora março de 26, mais ou menos, não foi? Não foi janeiro. Foi janeiro. Foi janeiro. Foi janeiro. Nossa. Aí eu comecei a ver os resultados eficazes. Comecei a falar nossa agora não só aí a faz o que eu fazia. Pensa como eu. Mas isso aí foi mais janeiro. Nossa pela primeira vez eu vi um texto que realmente está muito bom. Isso em janeiro vi pela primeira vez um texto que eu poderia ter assinado embaixo sem mudar uma vírgula. Um texto meu mas em março uma gente que faz histórias como os meus até melhores que os meus e que os nossos clientes têm usado e estão vendendo tanto quanto. Então isso está muito está sendo muito legal mas isso mudou justamente quando você passou a adicionar personalidade a eles não foi. Foi. Isso veio de um estudo, eu levantei como que essas empresas, a Antropic que faz o cloud, o OpenAI faz a GPT, o Grok, né? Cada uma tem as suas instruções. Todo agente... Porque no final, o que acontece? Como que é uma inteligência artificial? Tem uma massa de dados com esse monte de informação da internet, e aí tem como usar esses dados, que é uma camada de instrução. Essa camada de instrução sempre vaza, sempre tem um hacker que consegue pegar e botar na internet. Então eu peguei todos esses que vazaram e fiz um estudo de comparando entre todos eles, como é que funciona isso? O que eles têm em comum? Qual é a anatomia? O que eles têm de diferente? O que eles têm de comum? Então eu queria entender justamente como é que eles direcionam pra usar esse dado pra começar a fazer uma versão menor de agente, pegar a mesma lógica e fazer pro agente. E aí eu entendi que só tinha uma coisa em comum em todos eles. Que é a identidade. Então essa identidade é uma coisa muito importante, não importa se é chinesa, se é americana, tem que ter identidade. E aí quando eu comecei a analisar as identidades, eu vi que eles estão muito atrás do que eu sei sobre identidade de um personagem, do ponto de vista de construção de personagem. Aí eu falei, tem uma oportunidade muito boa de fazer agentes melhores do que eles fazem, porque eles não sabem fazer. Se a identidade é a coisa mais importante, é a única coisa que 100% dos agentes tem. Fundamental, sem isso não existe o agente. E ainda é mal aproveitado, e se eu começar a fazer boas identidades? E aí o que eu comecei a entender é... Quando você dá uma boa... Por que a identidade é tão importante? Porque se você gera uma regra, ele atua mais ou menos igual a uma criação. Tipo assim, não coloque travessão lá, o dash, né? Aquela travessão. Não coloque isso aqui. Ele pode começar a colocar ainda mais. Porque o não acaba reforçando. Porque você colocou o dash ali, na hora que ele tá lendo, ele dá uma ignorada no não e acaba fazendo ainda mais daquilo que você queria. Agora, se você fala assim, olha... Esse personagem tem toda uma história que o Dash, ele levou uma bronca da professora quando ele tava na quinta série, ele tem esse trauma. Então toda vez que ele vê Dash ele trava, então ele jamais colocaria num texto dele isso. Ele incorpora isso de um jeito que ele nunca mais vai colocar, você não vai ver Dash em texto nenhum. Porque ele entendeu que isso tá dentro do personagem. Ele sabe viver muito bem, ele sabe fazer esse roleplay de personagem muito bem. Porque dentro daquela massa toda de formação, ele é treinado pra seguir uma identidade. E como a identidade dele é meio básica e genérica, você consegue fazer uma mais avançada como um agente. Então realmente foi aí que começou a ter diferença. Porque qual que era o problema que a gente tinha? Porque você sempre falava, por que não funciona? Cara, a gente tá aqui... Toda quinta-feira, trabalhando, eles não conseguem fazer, eles erram pra caramba. Não conseguem fazer o básico. Ou fica muito quadradão, né, tudo durão. E aí, o torno fica idêntico, só muda.... Cara, cadê o borogodô, né? Tem que ter borogodô. Fica aquele templateão e fica tudo, né, cara, de Ctrl-C, Ctrl-V, só mudou a palavra chave. Ou então, se você dá a regra, ele ignora completamente. Ele não tinha o meio do caminho. Porque parecia que ele não conseguia entender a intenção por trás. Ele só ficava, ou ele segue a regra, ou ele chuta a regra. Se ele seguiu a regra, não deve passar de nove palavras. Aí, com dez palavras o cara é muito melhor, mas ele travou porque tem que seguir nove. Aí você dá um exemplo e ele fica repetindo aquele exemplo toda vez, só fazendo variações daquele exemplo. Perdeu o Borogodó. Quando é que ele ganhou o Borogodó? Quando traz identidade, explica o porquê das coisas. E as diretrizes são separadas entre o que realmente não pode de jeito nenhum, Que meio que são os traumas, né. Tipo assim, o que é trauma ele não mexe. E aí, toda parte do não, que tudo bem, assim. São diretrizes positivas, mas tudo bem se ele mudar um pouco. Aí quando eu comecei a instruir ele dessa forma, com tudo aquilo que a gente foi treinando ao longo do tempo todo, aí a gente começou a ter esse resultado de falar, ah, agora sim, tá vindo. Agora ele conseguiu entender e pensar como Flávia entende e pensa, né? Foi basicamente isso.

Do balde d'água ao aqueduto

O corte começa com a Flávia Monjardim contando a própria virada: ela era a cética da casa, do papel e da caneta, e passou 2025 inteiro descrente, treinando modelos que nem sabia nomear. Em janeiro leu um texto que teria assinado embaixo sem mudar uma vírgula. A frase que abriu esse caminho virou termo da casa: para de carregar balde d'água, a gente precisa construir o aqueduto, a estrutura que se constrói uma vez e passa a entregar sozinha.

O exemplo de método é o trauma do travessão: proibir o travessão numa lista de regras fez o modelo produzir mais travessões, e a cura veio por identidade, escrevendo na pele do personagem uma relação diferente com a tipografia. Personagem com história resolve por dentro o que a regra não segura por fora.

Perguntas diretas, respostas diretas

Por que identidade funciona melhor que instrução técnica em um agente?

Porque o modelo é treinado para sustentar uma identidade ao longo de toda a conversa, e a instrução isolada compete com tudo mais que ele leu. Quando o comportamento desejado faz parte de quem o personagem é, ele se mantém sozinho. Quando é só uma regra na lista, ele se perde nas trocas seguintes.

Por que proibir algo faz o modelo fazer mais aquilo?

Porque a proibição precisa nomear o que proíbe, e nomear coloca aquele elemento no centro da atenção do modelo. Ao ler a instrução, ele processa o termo citado com peso extra e a chance de reproduzi-lo sobe. A saída é escrever a preferência dentro da identidade do personagem, sem enunciar o que se quer evitar.

Próximo da ordem do argumento: V5, O que sobra. Só o vídeo entrega a experiência falada inteira: a conversa, o tom e a virada acontecem nele.

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