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Autoria Podcast, EP-1, corte V3

Por que a IA repete os 12 arquétipos
e a jornada do herói

O inimigo velho nomeado: o storytelling fossilizado que a máquina devolve por padrão, e o teste de dez segundos que mede o seu repertório.

Resposta direta

Porque o modelo devolve a média do que está publicado, e sobre storytelling a maior parte do material gira em torno desses dois esquemas. O teste da nota 5 mostra o efeito: faça uma pergunta da sua área a um modelo e observe a sua reação. Quanto pior a resposta te parecer, mais você sabe do assunto, porque a nota 5 é a média genérica que ele entrega quando ninguém deu a ele um recorte melhor.

O que se ouve no corte, palavra por palavra

“Quanto mais você achar a resposta boa, menos você sabe sobre o assunto”

Fonte: Fernando Palacios, Autoria Podcast EP-1, 2026

“Ele é o genérico, ele vai falar do arquétipo do herói”

Fonte: Fernando Palacios, Autoria Podcast EP-1, 2026

Assistir ao corte V3 no YouTube (9m12)

Transcrição do corte

Vai ficar simplista. Eu gosto daquela sua explicação que a inteligência artificial te leva até o conhecimento mediano, né? Até o nota 5. E qualquer coisa que você pessoalmente já esteja acima da média, você vai conseguir identificar que aquilo dali tá raso. Mas pra pessoa que não sabe nada, chegar até a nota 5 é muito bom. É isso aí. Isso é mó legal, né? É muito fácil ver que... Você vai lá e faz uma pergunta e ela vai te dar a resposta quanto mais você achar a resposta boa, menos você sabe sobre o assunto e quanto pior você achar a resposta dela, mais você sabe sobre o assunto porque justamente é isso, ela traz a nota 5 Porque ela tem o treinamento de toda informação disponível na internet. Então vira uma coisa pastorizada, vira uma grande mediana. Uma grande mediana. Então tem a melhor do melhor que tava disponível, mas também tem o pior do pior. Então junto com o melhor e o barulho, no final ela acaba ficando no meio do caminho. Por isso que na hora que você faz uma pergunta, ela te traz aquele negócio com os ruídos, com os mitos, com as bobagens, ela reproduz um monte de coisa que não tem nada a ver. É igual o lance do arquétipo do herói, né? Nossa, é. Essa coisa dos 12 arquétipos de Jung, que é um negócio muito interessante. Quais são os 12 arquétipos de Jung? No Jung não tem 12 arquétipos. Esse é o maior mito que a galera... Fez uma confusão, em algum momento teve uma confusão, que é fácil de entender até em que momento que isso aconteceu. E quando aconteceu essa coisa, ah, os 12 arquétipos de Jung, que Jung nunca, não, ele não tem nenhum livro sobre 12 arquétipos, ele nunca fechou em 12, é muito pelo contrário, ele falou que é infinito, então a visão de Jung é muito diferente disso, mas se popularizou essa ideia de 12 arquétipos de Jung. Então se você falar assim, ah, eu quero ajudar a posicionar minha marca, como eu posso fazer? Ele talvez faça assim, ah, você pode usar os 12 arquétipos de Jung, e você fala assim, não. Se você perguntar pra ele, você fala assim, mas espera, Quando que Jung falou sobre 12 arquétipos? Em que livro que isso tá? Ele vai falar assim, não, realmente você tem razão, ele nunca falou. Aí, quando você direciona ele, ele vai, realmente, é verdade. Mas na hora que ele traz a resposta, principalmente de uma primeira pergunta, ele vai na nota 5. E traz os conhecimentos medianos da internet, inclusive aqueles que não são verdadeiros, como o famigerado arquétipo do herói. Qual que é o arquétipo do herói?

E eu não gosto dele como um arquétipo, do ponto de vista de posicionamento de Mark. Porque herói todo mundo... Tem dois mitos que andam juntos aí. Um é o arquétipo do herói e aí tem o porquê eu separo as coisas. Porque assim, quando a pessoa fala o arquétipo do herói, ela tá querendo falar do arquétipo do guerreiro, do lutador, daquela pessoa que vai pra cima. Mas essa não é a única forma, a única expressão de um herói. Então quando a gente vai na etimologia, na raiz da palavra, herói significa alguém que fez alguma coisa grandiosa. Digno de algo notável, ponto. Isso é que é ser um herói. E aí então, herói não é um arquétipo específico. Qualquer arquétipo pode se tornar um herói, cada um do seu jeito. Porque o intelectual que está sentado na cadeira pode fazer algo notável e se torna um herói pelo conceito da palavra. E aí outra coisa também que eu não gosto é, ah não, a sua marca não deve ser o herói, quem tem que ser o herói é o consumidor. Eu até entendo a lógica, eu sei da onde que vem esse mito, mas também não é verdade, porque... Na verdade, todo mundo pode e deve ser o herói. A sua marca com o consumidor, os dois podem ser heróis ao mesmo tempo. Numa mesma cena podem ter vários heróis. Tanto que é só ver os filmes da Marvel que tem um monte de herói junto na mesma cena. Então, você não fica exclusivo, um não exclui o outro. E aí essa é uma das grandes questões. Mas você tem que entender, avançar. Se você conversar com essa lógica toda que eu falei aqui, ela vai concordar com tudo. Ela vai falar, realmente, você tá certo. Faz sentido tudo isso. E aí ela parte de um outro lugar. A partir daqui a gente consegue avançar. Tem uma conversa de alto nível. De alto nível. Um agente de inteligência artificial é alguém que você já treinou para ter a conversa a partir desse alto nível, então ele já consegue pegar mesmo um leigo e trazer para esse lugar mais alto, mas aí ele é específico sobre isso, ele não vai falar de outra coisa. Então se eu tenho um agente treinado para conversar de arquétipo do herói, ou de heroísmo, além do arquétipo, Ele vai falar disso, não adianta querer conversar sobre a sua menstruação com esse agente, porque ele não tem nada a ver com isso. Já o que vem de fábrica, o genericão, o ChatGPT, você abre e começa a conversar com ele. Ele é o genérico, ele vai falar do arquétipo, ele vai falar da menstruação, ele vai falar das finanças, tudo com a mesma coisa, aí ele volta pra nota 5. Então os agentes são um jeito de pegar aquela informação que já existe ali nele e selecionar o melhor recorte possível dentro de um assunto e trabalhar isso. Então o chapeleiro maluco é um grande guia porque ele foi treinado para isso, para ajudar a pessoa a encontrar o caminho de como é que ela cruza esses chapéus, usando técnica de literatura, usando técnica de roteirista, usando várias técnicas diferentes, técnica de carreira mesmo, junta várias coisas para ele conseguir consolidar esse processo de guiar a pessoa nisso aí. Por que você escolheu criar todos os nossos agentes, mais de 100, no Cloud? Por que ele? Porque o Cloud, ele é... Primeiro porque a gente começou fazendo tudo isso muito voltado para os clientes, né? E quando a gente fala de contar uma história, a gente sempre tá falando de texto em primeiro lugar. Um vídeo antes de ser vídeo virou um roteiro, né? Um vídeo, um podcast pode depois se transformar também numa transcrição, que é um texto. Pode e deve, né? Pode e deve. A gente está falando aqui é um texto o tempo inteiro. Então, tudo na verdade parte de texto. E o Cloud, desde sempre, foi o melhor pra trabalhar com texto. Primeira vez que eu testei o Cloud, ele nem estava no Brasil ainda, tive que usar um VPN e tal. Eu falei, cara, ele é muito melhor do que o ChatGPT pra trabalhar com texto. E ele consegue... Porque no final ele não foi feito pra isso, né? O Cloud ele foi feito pra código. Basicamente a ideia era essa, que ele escrevesse bem código. De programação só que programação e código não deixa de ser uma linguagem é uma linguagem que se você errar uma vírgula o aplicativo não funciona a página sai do ar então cada vírgula tem que tá muito bem posicionado como ele é muito bom de entender isso ele acabou sendo muito bom também entender linguagem humana estilos de escrita ele consegue entender esses padrões ele consegue replicar esses padrões então ele tem uma capacidade muito grande de Se você der o caminho certo, ele imita você. Então ele realmente escreve como se fosse você escrevendo. E aí o que é muito bom nisso? Você pode ir lá, grava um texto e aí fala, agora pega o meu estilo de escrita e pega esses textos que eu falei e só bota no papel como se fosse eu escrevendo. Não é roubar no jogo, é basicamente o que o Dostoievski fazia um século atrás. Ele casou com a mulher que fazia isso por ele, que ele ia lá e ficava falando a história, ela botava no papel e ela datilografava. Jorge Amado. Jorge Amado deitado na rede e contava a história dele. Porque o contar oral é a nossa forma mais natural. Tecnicamente, falando do ponto de vista da Itália, é melhor. Até hoje. A gente passou muito mais tempo contando história ao redor da fogueira do que em qualquer outro formato. Então, a oralidade, pra gente, é muito forte. Tanto pra falar, quanto pra ouvir. Só que ela tem uma série de vícios que não cabem no texto. Uma expressão, alguma coisa que no texto fique esquisito. A linguagem literária é muito mais elaborada, ela tem algumas características diferentes. Então você não escreve exatamente do jeito que você fala. Por conta disso, se você consegue se traduzir, você não precisa gastar o tempo de sentar e só botar no papel, que é o que os escritores já não gostavam de fazer, de qualquer forma. Então ela consegue te ajudar a tirar Essa parte manual e no cloud é muito bom nisso. Eu comecei os agentes no cloud, isso é um dos fatores. E o outro é que ele tem uma estrutura muito boa pra isso, pra receber esses agentes e executar esses agentes muito bem. O chat apt tem uma versão disso também, de você criar os agentes ali. Os GPTs, eles chamam de GPTs, mas ele é muito mais estrito e o resultado, afinal, é muito inferior ao que o cloud consegue entregar. Então, no final das contas, hoje é a melhor solução de todas disparadamente. E fora que aí a gente pode criar com muita atenção, muito cuidado, cada um dos agentes que a gente usa pra gente mesmo e compartilhar com outras pessoas, porque essa é outra vantagem, né? A gente conseguir ter um ecossistema que está todo mundo usando o mesmo ecossistema e todo mundo conversando sobre a experiência que está tendo com cada um desses agentes. Que é uma coisa também muito diferente se você faz uma coisa solta e perdida. O fato de estarem todos lá disponível da mesma forma para todo mundo também.

Documentar deixou de ser vaidade

Especialista de verdade some do resultado quando a média ocupa o lugar dele. Por isso documentar o próprio método virou gesto de sobrevivência profissional: o texto é o formato que atravessa tudo, porque vídeo e podcast viram transcrição e voltam a ser texto. Quem não publica o método próprio entrega a resposta sobre si para a média.

Perguntas diretas, respostas diretas

O que é o problema da nota 5 em respostas de IA?

É a constatação de que a satisfação com uma resposta genérica varia ao contrário do repertório de quem pergunta. Quem domina o assunto enxerga as lacunas e acha a resposta mediana, enquanto quem conhece pouco acha a mesma resposta excelente. A nota 5 vira, então, um teste barato de autoconhecimento profissional.

O que é um agente de inteligência artificial, na prática?

É o mesmo modelo configurado para conversar a partir de um recorte de alto nível definido por você: um método, uma bibliografia, uma identidade. Em vez de partir da média de tudo, ele parte de um ponto de partida escolhido. O ganho não vem de mais poder de máquina, vem de alguém ter decidido de onde a conversa começa.

Próximo da ordem do argumento: V4, A virada. Só o vídeo entrega a experiência falada inteira: a conversa, o tom e a virada acontecem nele.

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